Todo mundo nasce flor


Por vezes eu fui flor, daquelas com folhas desalinhadas e em tons de degradê que vão do claro ao escuro, mesmo a paisagem inteira da cidade optando por cores neutras como cinza, preto e branco.  Mas estar neste mundo para colorir não é uma escolha que fazemos no decorrer da vida, todo mundo nasce flor.
Pode ser em um jardim ou em um vaso de barro que é colocado em um ponto estratégico da casa, onde pode sentir o vento bater todos os dias trazendo o perfume e o pedaço de outras flores. Algumas combinam com a gente, então guardamos uma folha para que o próximo vento não leve embora. Outras não combinam tanto, porém espinhos são mais pesados que pétalas ou folhas, então acabam ficando por um período maior já que, a ventania precisa ser mais forte que o habitual para leva-los longe.
Enquanto flor no vaso fui levada a muitos lugares, em compensação quando estava na terra o lugar surgiu ao meu redor. Não faz muita diferença, em ambas sempre será preciso mudar e adaptar.
É preciso um regador cheio de histórias, daquelas que possam virar música, verso ou tatuagem. Só assim para animar as coisas nessa cidade cheia de horários e rotinas que não podem ser quebradas. Esse equilíbrio que criaram não tem nada a ver com aqueles de livros que vimos no ensino fundamental, onde a natureza era quem parecia dar as cartas.
Sempre gostei de ver outras flores, ramos, galhos e plantas é interessante a forma como tentam manter a harmonia mesmo depois de terem sido tirados da terra e levados para outro lugar, afinal, na essência todo mundo nasce flor.